domingo, 18 de fevereiro de 2018

LIVROS, ESTÓRIAS E MATEMÁTICA

Se gostas de matemática, esta lista de livros é para ti. Se não gostas, também. Talvez possas ultrapassar os teus problemas com esta ciência através das estórias que os livros têm para te contar. Procura-os na tua biblioteca escolar.
  • “A festa dos números pares”, in A noite em que a noite não chegou, José Fanha (BE 1ºciclo)
  • As letras de números vestidas, João Pedro Mésseder
  • Aventura matemática na Internet, Paulo Afonso
  • Cartas a uma jovem matemática, Ian Stewart
  • Desarrumar, Margarida Fonseca Santos (BE 1ºciclo)
  • Falha de cálculo, Margarida Fonseca Santos
  • Figuras, figuronas, Maria Alberta Menéres (BE 1ºciclo e EB 2,3)
  • Maldita Matemática,  Álvaro Magalhães (BE 1º ciclo)
  • Matemática ao virar da esquina, Carlos Roque
  • Matemáticas assassinas, Kjartan Postkitt (BE EB 2,3)
  • MathTrek, aventuras no Parquemático, Ivars Peterson
  • O Bosque das figuras planas, Andreia Hall (BE 1ºciclo)
  • O 10 magnífico. Anna Cerasoli
  • O labirinto de Luana, Eugénia Maria Soares Lopes (BE 1ºciclo)
  • O 10 magnífico. Anna Cerasoli
  • O homem que sabia contar, Malba Tahan
  • Pequeno livro de desmatemática, Manuel António Pina (BE EB 2,3)
  • Terríveis matemáticas: Alice no país dos números, Carlo Frabetti
  • Versos quase matemáticos, João Pedro Mésseder (BE 1ºciclo e EB 2,3)
E ainda um poema, "Poesia Matemática", de Millôr Fernandes
Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.
in,  Tempo e Contratempo, Edições O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 1954

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