sexta-feira, 28 de junho de 2019

HISTÓRIAS DA AJUDARIS

As oficinas de escrita realizadas, pela BE, nas turmas do 2ºano do Agrupamento deram frutos. Os alunos das escolas EB1 Conde Dias Garcia, Casaldelo e Fontainhas vão ver os seus textos publicados no livro Histórias da Ajudaris '19, com os títulos, respetivamente, "Os dois lados do Mundo", "Mar em risco" e "Preciso de ajuda".
Este ano, o tema proposto, "Objetivos do desenvolvimento sustentável", permitiu que as crianças fizessem uma reflexão sobre os problemas ambientais e sociais, mostrando, através das suas palavras, o quanto é necessário proteger a vida marinha e a vida terrestre, combater a pobreza e o desperdício.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

EXPERIÊNCIAS SENSORIAIS

Esta semana, todos os alunos do 3ºano tiveram a oportunidade de testar os cinco sentidos e concluir que a falta de um apura os outros. Além disso, aprenderam, também, que é importante a entreajuda. 
Tudo isto, a propósito do conto de Álvaro Magalhães, "O senhor do seu nariz", pois o nariz descomunal da personagem principal trouxe-lhe vários problemas, entre eles a rejeição pelos pares.




segunda-feira, 29 de abril de 2019

sexta-feira, 26 de abril de 2019

ENCONTRO COM RICHARD TOWERS

Richard Towers é pseudónimo de Martinho Fernando Alves Torres e esteve com os alunos das cinco escolas EB1 do Agrupamento proporcionando a todos os alunos do 1ºciclo um verdadeiro concerto rock num incessante apelo à leitura. Foram momentos de histórias contadas, ritmados, cantados, e de encontro com dois génios: Einstein e Beethoven.
E grande foi a animação!







terça-feira, 23 de abril de 2019

ENCONTRO COM FRANCISCO MOITA FLORES

“O dia dos milagres” foi o dia em que o “mensageiro do rei” anunciou”:
- “O carteirista que fugiu a tempo” de um país de cenho carregado provocou uma história de “polícias sem história”. Tudo porque, “na raia dos medos” “mataram o Sidónio” provocando “a fúria das vinhas”. E é no “bairro da estrela polar”, onde “não há lugar para divorciadas”, que se vão desvendar “os segredos de amor e sangue” e, ainda, descobrir o “mistério de Campolide” para, finalmente, se poder purificar “o sangue da honra”.
E o mensageiro continuou:
- Só com muita leitura, serão perdoados os “7 pecados mortais” dos “filhos da memória do vento”.
Benzendo-se, terminou:
- “Em memória de Albertina, que Deus haja!”

Nota: Texto redigido com montagem de títulos do autor Francisco Moita Flores.

Aconteceu, hoje, Dia Mundial do Livro, o encontro com o escritor Francisco Moita Flores e seis turmas do ensino secundário de 10º, 11º e 12º anos.
Depois de algumas leituras, por alunos, de passagens das obras do autor e de um texto com montagem dos seus títulos, passou-se a uma conversa interessantíssima a partir das questões colocadas por duas alunas que vestiram a pele de jornalistas por quase duas horas.
O autor é extremamente comunicativo e conseguiu captar a atenção da imensa plateia, usou uma linguagem que cativou o público-alvo, mostrou uma enorme cultura e um espírito crítico bem acentuado, como provam as seguintes respostas (muito resumidas) às questões que lhe foram colocadas:
1. É evidente que os anos como inspetor da Polícia Judiciária lhe proporcionaram as experiências necessárias ao processo de escrita. Mas, nem todos os elementos da PJ são escritores, logo, só a experiência não chega. O que é preciso mais para se ser escritor?
FMF: Aqueles que não leem ficam terrivelmente para trás. Se lermos, temos o livro como forma de ascensão e um companheiro. Com os livros que li aprendi que somos todos mais felizes porque sabemos mais. Esta é a arma para depois conseguirmos escrever histórias. É preciso ter o prazer da leitura. Não é obrigatório ler um livro até ao fim se ele não não agrada, mas é obrigatório ler livros que nos agradam. Por trás de cada livro está um homem ou uma mulher que partilham experiências.

2. Da mesma forma, os seus conhecimentos de História também estão presentes na sua obra, quer nos romances quer nas séries televisivas. Quer falar-nos sobre esse processo de trazer a História para a ficção?
FMF: Viajo pela História com a ideia de entregar aos leitores uma abordagem que não se aprende nos manuais. Outros olhares. O livro O dia dos milagres foi escrito quando eu estava muito zangado, na altura em que o Governo acabou com o feriado do 1º de dezembro. Isto foi um sinal de burrice. Sem o acontecimento que este feriado simboliza, hoje estaríamos todos a falar castelhano. Graças a 1640, a língua portuguesa, hoje, é uma das mais faladas no mundo. Acabar com o feriado é acabar com a nossa História e isso zangou-me muito, por isso escrevi esse livro. Se não incomodar, não vale a pena escrever.

3. Tendo em conta os temas da sua obra e o registo de língua usado, considera haver um público adequado para ler os seus livros? Serão os seus livros apropriados apenas para adultos?
FMF: O público aqui presente já tem idade para ler os meus livros. Os mais novos não têm maturidade para entender a linguagem. 
Gosto de desnudar os nossos corpos e as nossas almas. Não tenho medo das palavras. Nos meus livros há droga, há sexo, há violência, há ternura. Aprende-se História, aprende-se vida, sobretudo a dimensão dos sentimentos.

4. Sabemos que o calão que aparece na sua obra se adequa ao nível social e cultural das personagens, sendo, portanto, uma marca de oralidade que dá realismo à narrativa e aos diálogos. No entanto, já teve alguma reação adversa por parte dos leitores por causa disso?
FMF: Não porque o calão é a nossa linguagem pervertida. Até tenho 4 dicionários de calão.

5. “A política pode ser mais agressiva do que a polícia”. Afirmou isto numa entrevista que deu há uns anos. Mantém a mesma opinião?
FMF: A política é o setor mais imoral que existe no país. Nem todos os políticos são corruptos, a maioria é séria, mas uma meia dúzia estraga tudo. Não há ideias próprias, a política serve-lhes para realizarem ambições pessoais e não para servir os interesses pessoais. Para servir o país e olhar pelos seus interesses, é preciso dar murros na mesa e batalhar. E cito Guerra Junqueiro, poeta do século XIX, que mantém toda a atualidade: 
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. (...)"
Com as suas palavras, provo que a política não tem emenda. As injustiças continuam gigantes, estamos na cauda da Europa porque não lemos. Criamos um povo servil e submisso que só o é quando não tem conhecimentos.

6. Que conselho nos dar, a nós, jovens que nos estamos a construir como leitores, para nos tornarmos leitores sólidos, conhecedores de boa literatura?
FMF: Não dou conselhos porque na vossa idade ninguém os quer. Dou uma sugestão: os jovens estão a viver um período privilegiado da vida. Estão no tempo do aprender, do saber inglês, matemática, geografia, namorar, jogar à bola, dançar, boa música, gerir o tempo, gerir as relações com os outros e o valor da amizade e do amor. Estão no tempo de aprender a ternura que é uma equação matemática, é uma história de amor. 
E a minha experiência diz-vos que deveis ter muita cautela com aquilo que publicais nas redes sociais para que mais tarde disso não tenhais vergonha, pois o que se publica na Internet nunca mais de lá sai.